Foi num impulso que resolvi ver o novo filme do Woody Allen: O sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream). Amo cinema e então, qualquer horinha vaga e grana sobrando bastam para eu me mandar para uma sala escura & solitária e curtir uma história sozinha.
Muitas pessoas me perguntam: “Ah, Gabriela, como tu consegue ir ao cinema sozinha?”, mas o fato é que eu AMO IR AO CINEMA SOZINHA. Simplesmente prestar atenção em tudo, no enredo, nas musicas, nos personagens & ter pensamentos loucos ao mesmo tempo. Sair do cinema com aquela sensação boa que nem sei definir, algo do tipo “dever cumprido”.
Já estou falando sobre o que não era pra falar. Na realidade resolvi escrever um pouquinho sobre esse filme, pois achei muito bom, apesar de denso. Ta… Convenhamos, é WOODY ALLEN, não tem muita surpresa em que seja bom. O filme é cheio de surpresas e quase cai na tentação de roer minhas unhas, de tão nervosa que estava.
A história é a seguinte: dois irmãos. Um, mecânico, Terry (Colin Farrel), com o vício da jogatina se afunda em dividas e fica devendo uma grana preta. O outro, Ian (Ewan McGregor), trabalha no restaurante do pai a contragosto, tem o sonho de ter seu próprio negocio e conhece uma linda atriz por quem se apaixona e para a qual mente ser um influente empresário. Ambos, metidos em encrenca, logo vêem a luz quando seu tio Howard (Tom Wilkinson), um médico e dono de clínicas podre de rico, volta a Londres por uns dias. Eles pedem dinheiro ao tio, que diz dar sem problemas, mas em troca, é claro, precisa de um favorzinho. O tal favor é o que desenrola o filme e coloca em jogo tanto a visão ética e moral dos personagens, quanto a nossa.
Eu, por exemplo, no final do filme já estava torcendo para o “Mal”, se é que pode-se dar tal dominação num filme como esse, em que mostra que realmente não existe uma grande distinção entre bem e mal, e que todas as pessoas têm esses dois lados. Mas não me culpem por isso, culpem ao gênio Woody Allen que consegue mexer tanto com as emoções e percepções das pessoas.
Tudo bem que eu fiquei meio braba com o final. Tipo estado de choque, sabe? Mas esse cineasta é assim mesmo. Se fosse um final previsível, não seria tão bom.
Enfim, assistam. E aluguem na locadora mais próxima das suas casas Match Point que é outro filme do Allen que mata a pau.
Meus quatro reais e cinqüenta centavos foram bem investidos e meu tempo também.
“It seemed the world was divided into good and bad people. The good ones slept better … while the bad ones seemed to enjoy the waking hours much more.” (Woody Allen)