Acreditando em mim mesma…

20 mai

Há alguns anos, desde os quinze, mais ou menos, eu tive um surto de indecisão sobre sentimentos, não sabia se odiava ou amava, me tornei mas extremista do que já era, o oito ou ointenta imperavam minhas ações, mas se tem uma coisa que nunca foi afetada por todo esse turbilhão, foi a minha paixão por ler, escrever, conhecer… E num desses dias eu descobri a Carol Teixeira e as coisas lindas que ela escrevia. Eu tinha dezesseis anos, estava passando por uma fase difícil e escreve o seguinte texto no meu antigo blog:

“Um ser iluminado

Uma luz iluminou minha cabecinha de adolescente perdida e ela, incrivelmente, tem nome: Carol Teixeira, a escritora que me faz ir aos lugares da minha mente que mais tenho medo e pensar no verdadeiro sentido disso tudo. Um dia gostaria de ter todo o conhecimento que ela tem, não somente aquele que se aprende na sala de aula, mas o de vida.
Hoje lendo seu primeiro livro – “De Abismos e Vertigens” – pensei em várias situações enquanto me deliciava, muitas vezes sem compreender, por aquelas páginas cheias de verdades que fazem com que nos tornemos seres pensantes. Parece que isso foi o que menos fui durante minha vida, um ser pensante. Ou melhor, durante o começo de minha adolescência; quando criança a vida era tão simples e engraçada que era muito bom simplesmente respira e pular as ondas do mar. Felicidade era isso. Como ela disse, a gente vai crescendo e querendo cada vez mais e mais, nunca satisfeito com o que temos. Não digo que ambição não seja bom, muito pelo contrário, acho necessária para atingirmos certos objetivos na nossa vida, mas tudo que é demais não presta.
A vaidade foi assim comigo. E como disse Carol Teixeira: “Falo daquela vaidade cega, que nos leva a querer ser sempre o melhor, o mais bonito, o mais admirado, o mais falado, o mais inteligente, o mais competente, o mais reconhecido. Aquele diabinho que sopra no nosso ouvido e nos leva a desperdiçar a grandeza da nossa vida com coisas pequenas e competições inúteis. Essa coisa burra e tão freqüente de competir com os limites dos outros e não com os nossos próprios – o que seria muito mais fácil. (…) É esse pensamento errôneo que nos leva a esse egocentrismo e que nos incentiva a essa vaidade que nos destrói. Porque nessa auto-adoração muita coisa se perde. Nesse processo vamos ficando tão autocentrados que esquecemos das pessoas à nossa volta, esquecemos das coisas que acreditamos, esquecemos dos nossos ideais mais íntimos, dos nossos valores mais puros e começamos a lutar por uma coisa que não tem mais nada a ver com o que sonhamos no início de tudo. A pessoa olha tão longe que perde a capacidade de enxergar um palmo à sua frente. E os exemplos estão aí na nossa cara, à nossa volta, em nós mesmos. Ninguém nasce corrompido pela vaidade, as pessoas corrompem-se ao longo da vida. Vão cegando-se ao longo da vida”.
Depois de ler isso, pude perceber o quanto nós perdemos sempre comparando nosso limite ao dos outros, pois são absurdamente diferentes. Pude ver claramente que me afundei num poço por causa dessa vaidade. Fiquei cega a todo o resto e só o que me importava era ser a melhor em tudo; porém, um dia a gente acorda desse sonho – pesadelo – e vê que isso não vai nos dar nada mais em troca do que apenas frustração. Frustração por nunca atingir o inatingível. Por sermos seres imperfeitos à procura da ilusória perfeição. Tudo utopia. Eu, como uma adolescente de 16 anos, quero agora mais é viver, e não ser sufocada pela sociedade. Quero fazer minhas escolhas, independentemente da visão dos outros quanto a isso; não quero me tornar uma adulta limitada e previsível. Quero viver cada segundo. Tenho ânsia de vida, de viagens, de pessoas. E isso a vaidade nunca iria me dar, mas uma certeza ela me trouxe: depois de me sentir traída por ela, agora eu sei que não lhe necessito para ser feliz.” (11/04/07)

Hoje em dia, megarealizada, fazendo a faculdade que eu curto (Jornalismo), lendo bastante e participando de sites relevantes na área cultural, posso deixar o link da minha primeira entrevista aqui e sabem com quem foi? Com a Carol Teixeira, isso mesmo, essa aí do texto acima. Além de supersimpática e acessível, a Carol fez com que mais uma vez eu continue acreditando em mim, no meu talento e realizou o meu pequeno grande sonho que jamais esquecerei: entrevistá-la.

Aqui está a o link da entrevista: http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?cid=116

Valeu. :)

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