O Teatro Mágico

16 maio

Sempre quis ir a um show de “O Teatro Mágico”, mas nunca tinha tido a devida oportunidade. Quando descobri que eles estariam em Porto Alegre nessa sexta-feira, na Feira de Agricultura Familiar e Reforma Agrária | Brasil Rural Contemporâneo, decidi que dessa vez não passaria. Essa feira acontece em Poa do dia 13 ao dia 16 de maio e versa sobre práticas sustentáveis, agricultura familiar, etc.
Nunca vi um ingresso para um show tão barato em toda a minha vida. Dez reais a entrada inteira e cinco reais a meia-entrada. Realmente uma forma democrática de disponibilizar a arte, de maneira a atingir os mais diversos públicos. O próprio grupo “O Teatro Mágico” falou no palco sobre a questão da música livre, que é a idéia de criar, copiar, baixar, distribuir a música sem restrições. Os cd’s da banda podem tanto ser comprados nos shows quanto baixados pela internet.
Sobre o show, foi tudo muito lindo. As performances emocionavam a cada segundo. O teatro, a música, a poesia: A ARTE. As palavras cheias de sabedoria, a energia do público que vibrava a cada música. Não tem explicação a fusão das mais diversa manifestações artísticas ao mesmo tempo, na mesma apresentação, pelos mesmos artistas.

por Anna Paula Arruda

Nunca vi nada igual na minha vida.

Quem ainda não conhece “O Teatro Mágico”, por favor, não perca mais tempo e acesse: http://oteatromagico.mus.br

chico, passarinhos, literatura e eu

30 out

acho que estou voltando. quem garante? absolutamente ninguém. até por que vou e volto na velocidade da luz. mas tenho certeza que dessa vez, pelo menos, alguma coisa boa eu vou deixar.

ouvindo Chico Buarque desesperadamente.

quero me libertar. estou quase lá.

Ela faz cinema

Chico Buarque

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

Acreditando em mim mesma…

20 maio

Há alguns anos, desde os quinze, mais ou menos, eu tive um surto de indecisão sobre sentimentos, não sabia se odiava ou amava, me tornei mas extremista do que já era, o oito ou ointenta imperavam minhas ações, mas se tem uma coisa que nunca foi afetada por todo esse turbilhão, foi a minha paixão por ler, escrever, conhecer… E num desses dias eu descobri a Carol Teixeira e as coisas lindas que ela escrevia. Eu tinha dezesseis anos, estava passando por uma fase difícil e escreve o seguinte texto no meu antigo blog:

“Um ser iluminado

Uma luz iluminou minha cabecinha de adolescente perdida e ela, incrivelmente, tem nome: Carol Teixeira, a escritora que me faz ir aos lugares da minha mente que mais tenho medo e pensar no verdadeiro sentido disso tudo. Um dia gostaria de ter todo o conhecimento que ela tem, não somente aquele que se aprende na sala de aula, mas o de vida.
Hoje lendo seu primeiro livro – “De Abismos e Vertigens” – pensei em várias situações enquanto me deliciava, muitas vezes sem compreender, por aquelas páginas cheias de verdades que fazem com que nos tornemos seres pensantes. Parece que isso foi o que menos fui durante minha vida, um ser pensante. Ou melhor, durante o começo de minha adolescência; quando criança a vida era tão simples e engraçada que era muito bom simplesmente respira e pular as ondas do mar. Felicidade era isso. Como ela disse, a gente vai crescendo e querendo cada vez mais e mais, nunca satisfeito com o que temos. Não digo que ambição não seja bom, muito pelo contrário, acho necessária para atingirmos certos objetivos na nossa vida, mas tudo que é demais não presta.
A vaidade foi assim comigo. E como disse Carol Teixeira: “Falo daquela vaidade cega, que nos leva a querer ser sempre o melhor, o mais bonito, o mais admirado, o mais falado, o mais inteligente, o mais competente, o mais reconhecido. Aquele diabinho que sopra no nosso ouvido e nos leva a desperdiçar a grandeza da nossa vida com coisas pequenas e competições inúteis. Essa coisa burra e tão freqüente de competir com os limites dos outros e não com os nossos próprios – o que seria muito mais fácil. (…) É esse pensamento errôneo que nos leva a esse egocentrismo e que nos incentiva a essa vaidade que nos destrói. Porque nessa auto-adoração muita coisa se perde. Nesse processo vamos ficando tão autocentrados que esquecemos das pessoas à nossa volta, esquecemos das coisas que acreditamos, esquecemos dos nossos ideais mais íntimos, dos nossos valores mais puros e começamos a lutar por uma coisa que não tem mais nada a ver com o que sonhamos no início de tudo. A pessoa olha tão longe que perde a capacidade de enxergar um palmo à sua frente. E os exemplos estão aí na nossa cara, à nossa volta, em nós mesmos. Ninguém nasce corrompido pela vaidade, as pessoas corrompem-se ao longo da vida. Vão cegando-se ao longo da vida”.
Depois de ler isso, pude perceber o quanto nós perdemos sempre comparando nosso limite ao dos outros, pois são absurdamente diferentes. Pude ver claramente que me afundei num poço por causa dessa vaidade. Fiquei cega a todo o resto e só o que me importava era ser a melhor em tudo; porém, um dia a gente acorda desse sonho – pesadelo – e vê que isso não vai nos dar nada mais em troca do que apenas frustração. Frustração por nunca atingir o inatingível. Por sermos seres imperfeitos à procura da ilusória perfeição. Tudo utopia. Eu, como uma adolescente de 16 anos, quero agora mais é viver, e não ser sufocada pela sociedade. Quero fazer minhas escolhas, independentemente da visão dos outros quanto a isso; não quero me tornar uma adulta limitada e previsível. Quero viver cada segundo. Tenho ânsia de vida, de viagens, de pessoas. E isso a vaidade nunca iria me dar, mas uma certeza ela me trouxe: depois de me sentir traída por ela, agora eu sei que não lhe necessito para ser feliz.” (11/04/07)

Hoje em dia, megarealizada, fazendo a faculdade que eu curto (Jornalismo), lendo bastante e participando de sites relevantes na área cultural, posso deixar o link da minha primeira entrevista aqui e sabem com quem foi? Com a Carol Teixeira, isso mesmo, essa aí do texto acima. Além de supersimpática e acessível, a Carol fez com que mais uma vez eu continue acreditando em mim, no meu talento e realizou o meu pequeno grande sonho que jamais esquecerei: entrevistá-la.

Aqui está a o link da entrevista: http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?cid=116

Valeu. 🙂

O Signo das nossas vidas

15 maio

Assisti ao filme “O Signo da Cidade” há exatamente uma semana e de uma forma louca & intensa continuo tendo vertigens pensando sobre e flashs de cenas do filme vêm a minha cabeça, sendo assim impossível esquecê-lo.

O filme foi dirigido por Carlos Alberto Riccelli e produzido, roteirizado e estrelado por Bruna Lombardi, sua esposa. O filho do casal, Kim Ricelli, também faz sua primeira aparição como ator em um longa-metragem, e não deixa duvidas de que pertence a uma família de artistas.

Bruna Lombardi interpreta Teca, uma astróloga que tem um programa de rádio na madrugada e ouve os problemas das outras pessoas, tentando ajudar com os astros. Mas ao longo da trama ela percebe que assim como as pessoas que tenta ajudar, ela está tão perdida quanto. Todos estamos. A partir dela, muitas histórias se cruzam na cidade de São Paulo. Adolescentes perdidos e suicidas, homens à beira da morte, mulheres drogadas e descontroladas, mas também pessoas salvando vidas, sorrisos ao acaso, amores encontrados, perdoes concedidos, uma sopa quentinha como forma de afeto.

Talvez esse caráter de cotidiano do filme que tenha mexido tanto comigo. Em meio a dor, está a esperança. As pessoas se cortam, tanto metafórica quanto literalmente, mas os cortes se fecham e a vida segue. Aquele conceito de Shiva cairia bem aqui: após a destruição, transformação.

Um filme forte, que mexe com todas as entranhas e em mim reviveu muitas lembranças. Simplesmente, “O Signo da Cidade” merece as minhas estrelas, não sei as suas.

Agora, ninguém pode negar que a Bruna Lombardi é uma excelente atriz. Cada dia eu fico mais feliz com o nosso cinema, que deu uma guinada desde os anos 90. Aliás, hoje começou o Festival de Cannes e dois brasileiros estão concorrendo a Palma de Ouro: Fernando Meirelles com “Ensaio sobre a Cegueira”, que foi gravado no Canadá e abriu o festival e “Linha de Passe” do Walter Salles, o magnífico cineasta do filme “Abril Despedaçado” (clique aqui para ler o que escrevi sobre o filme há mais ou menos um ano no meu outro blog).

Em cinema, vamos bem.

Martian Child

6 maio

Eu não dava nada pelo filme que assisti hoje, até assisti-lo. Com um nome meio clichê e uma sinopse no jornal que me levou a ter pensamentos errôneos, entrei no cinema achando que veria somente um filme bonitinho, sem muito conteúdo, para desestressar depois de descobrir que tinha marcado a questão errada na prova por falta de atenção – cometo o mesmo erro desde a quinta série. Admito que fui assistir Ensinando a viver (Martian Child) desacreditada no potencial do mesmo.

A história é a seguinte: o protagonista David (John Cusack) é um cara melancólico que ficou viúvo há cerca de dois anos. Realizado profissionalmente como escritor de ficção cientifica, é autor de um best-seller e tem um contrato para escrever a continuação do mesmo. Porém, solitário, vivendo somente com um cachorro que se chama Somewhere (Algum Lugar), ele decide adotar uma criança. David adota Dennis (Bobby Coleman), um garoto de seis anos que acredita ser marciano e é tão ou mais excêntrico que ele na infância. Para que possa ficar com o garoto, pelo qual está cada vez mais apaixonado, David tenta entende-lo e os dois vão criando uma convivência única & especial depois de passarem por momentos difíceis. Dennis tem comportamentos diferentes por ter sido abandonado. Ele tem medo e o seu novo pai o ensina a viver, assim como o garoto ensina muito ao pai.

Esse não é um filme merecedor de Oscar nem de prêmio nenhum de cinema. Mas, com certeza, é um filme que merece a atenção de pessoas sensíveis, porque a mensagem que passa basta para que se torne bom. Trata-se de pensar como lidamos com as diferenças e o que a família significa para nós. Como eu sou um tanto excêntrica & sensível, esse filme me pegou, fez pensar em todas as pessoas que me entendem, amam e deixam ser o que sou. Simples assim. Clichê assim, mas BOM.

Novo filme do Woody Allen…

2 maio

Foi num impulso que resolvi ver o novo filme do Woody Allen: O sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream). Amo cinema e então, qualquer horinha vaga e grana sobrando bastam para eu me mandar para uma sala escura & solitária e curtir uma história sozinha.

Muitas pessoas me perguntam: “Ah, Gabriela, como tu consegue ir ao cinema sozinha?”, mas o fato é que eu AMO IR AO CINEMA SOZINHA. Simplesmente prestar atenção em tudo, no enredo, nas musicas, nos personagens & ter pensamentos loucos ao mesmo tempo. Sair do cinema com aquela sensação boa que nem sei definir, algo do tipo “dever cumprido”.

Já estou falando sobre o que não era pra falar. Na realidade resolvi escrever um pouquinho sobre esse filme, pois achei muito bom, apesar de denso. Ta… Convenhamos, é WOODY ALLEN, não tem muita surpresa em que seja bom. O filme é cheio de surpresas e quase cai na tentação de roer minhas unhas, de tão nervosa que estava.

A história é a seguinte: dois irmãos. Um, mecânico, Terry (Colin Farrel), com o vício da jogatina se afunda em dividas e fica devendo uma grana preta. O outro, Ian (Ewan McGregor), trabalha no restaurante do pai a contragosto, tem o sonho de ter seu próprio negocio e conhece uma linda atriz por quem se apaixona e para a qual mente ser um influente empresário. Ambos, metidos em encrenca, logo vêem a luz quando seu tio Howard (Tom Wilkinson), um médico e dono de clínicas podre de rico, volta a Londres por uns dias. Eles pedem dinheiro ao tio, que diz dar sem problemas, mas em troca, é claro, precisa de um favorzinho. O tal favor é o que desenrola o filme e coloca em jogo tanto a visão ética e moral dos personagens, quanto a nossa.

Eu, por exemplo, no final do filme já estava torcendo para o “Mal”, se é que pode-se dar tal dominação num filme como esse, em que mostra que realmente não existe uma grande distinção entre bem e mal, e que todas as pessoas têm esses dois lados. Mas não me culpem por isso, culpem ao gênio Woody Allen que consegue mexer tanto com as emoções e percepções das pessoas.

Tudo bem que eu fiquei meio braba com o final. Tipo estado de choque, sabe? Mas esse cineasta é assim mesmo. Se fosse um final previsível, não seria tão bom.

Enfim, assistam. E aluguem na locadora mais próxima das suas casas Match Point que é outro filme do Allen que mata a pau.

Meus quatro reais e cinqüenta centavos foram bem investidos e meu tempo também.

“It seemed the world was divided into good and bad people. The good ones slept better … while the bad ones seemed to enjoy the waking hours much more.” (Woody Allen)

Nova vida merece novo blog

26 abr

Minha mudança de blog coincide com minha mudança de vida. Estou numa fase nova & intensa. Como sou uma camaleoa, cheia de vontade de mudar, conhecer, experimentar, resolvi que estava na hora de abandonar meu antigo blog, no qual eu escrevi muitos posts ao longo de um turbilhado ano, e partir para um novo blog mais maduro, menos hedonista.

O nome do blog continuará o mesmo. Muitos devem se perguntar: “Por que ‘A Dona da História’?” e agora eu vou explicar…O nome originalmente veio do filme brasileiro “A Dona da História”, que marcou minha vida de tal forma que hoje eu me tornei a dona da minha própria história.

Eu sou do meu jeito

Minha vida é cheia de caminhos

E eu sou todos eles

O que importa é continuar

Seguir a estrada

Pegando carona

Comigo mesma

Esse é um trecho de uma propaganda publicitária que eu vi uma vez e eu recortei, pois diz exatamente o que eu sou e quero para a minha vida. Agora, numa fase completamente realizada, cursando jornalismo na PUCRS, estagiando na rádio da universidade, contribuindo para o Digestivo Cultural e depois de ter feito minha primeira entrevista com uma escritora que admiro demais, a Carol Teixeira, começo esse blog como parte de um marco na minha história e espero que ele seja bom e útil, se não conseguir que seja para vocês, que seja pelo menos para mim.